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O novo carro da Tesla pula, gira no ar e anda de cabeça para baixo

A Tesla apresentou em 15 de outubro de 2026, em um centro de testes da SpaceX no Texas, a nova geração do esportivo Roadster, que subiu uma rampa de cabeça para baixo e girou no ar com propulsores de gás frio.

Wanderson Poster
Wanderson Poster
17/10/2026 às 08:27 · 4 min de leitura · Marca
O novo carro da Tesla pula, gira no ar e anda de cabeça para baixo
Imagem: Divulgação

Em 15 de outubro de 2026, em um centro de testes da SpaceX no Texas, a Tesla mostrou a nova geração do esportivo Roadster, que andou de cabeça para baixo numa rampa, girou no ar e pousou com propulsores integrados, segundo a Reuters, uma das maiores agências de notícias do mundo. Muita manchete falou em carro voador, mas só uma das três versões anunciadas tem o sistema de voo, ela é vendida por convite e não tem autorização para circular nas ruas, de acordo com a Exame.

Só a versão Rocket tem o sistema de voo, e ela não é para a rua

O Roadster terá três versões, segundo a Exame. A Performance tem dois lugares e usa aerodinâmica ativa e sucção para aumentar a aderência, e a Thrust soma propulsores traseiros de gás frio, versão à qual a Tesla associa uma aceleração de 0 a 97 km/h em menos de um segundo, número que não foi verificado de forma independente. A Rocket tem um lugar, propulsores para movimento vertical e lateral e acesso só por convite, e não é aprovada para uso em vias públicas, conforme a própria Tesla. A mesma matéria ressalta que a demonstração não comprova, por si só, que um comprador possa repetir a manobra na rua.

Os números de desempenho e de reserva são da própria Tesla

Segundo a Reuters, o engenheiro-chefe de veículos da Tesla, Lars Moravy, afirmou que o carro vai de 0 a 96 km/h em menos de um segundo, com velocidade máxima acima de 370 km/h e autonomia superior a 480 km por carga, o que a agência lembra ser menos da metade do prometido em 2017. A Reuters não indica verificação independente desses dados. As reservas custam US$ 50 mil na Performance e US$ 250 mil na Thrust, pagas em duas parcelas, de acordo com a Exame, e o preço final não foi anunciado. A produção está prevista para 2028.

O Roadster foi adiado pelo menos seis vezes desde 2017

O AutoGear, site português de automóveis, em texto de 14 de outubro publicado no SAPO, um dos principais portais de notícias de Portugal, e baseado na linha do tempo do Electrek, site americano especializado em carros elétricos, lembra que o protótipo foi mostrado em novembro de 2017 com produção prometida para 2020. Depois disso o prazo foi sendo empurrado ano a ano até 2023, quando Elon Musk disse que a produção começaria com sorte em 2024 e que aquilo não era um compromisso, e em novembro de 2025 a previsão foi para 2027 ou 2028. A própria apresentação teve sete datas, e a de 1º de outubro foi cancelada por previsão de mau tempo. O preço-base anunciado em 2017 era de US$ 200 mil, segundo a Reuters.

Uma demonstração renova a promessa melhor do que uma nota sobre o atraso

Minha leitura é que um espetáculo assim renova uma promessa antiga com mais eficiência do que qualquer comunicado explicando o atraso. Quem fala do Roadster hoje fala de um carro girando no ar, e o prazo de 2020 que virou 2028 fica em segundo plano na conversa. Os analistas ouvidos pela Reuters divergem sobre o valor disso, já que Gene Munster, da Deepwater, chamou o evento de exibicionismo de engenharia sem valor comercial, enquanto Seth Goldstein, da Morningstar, o descreveu como o novo carro vitrine da marca, e Josh Gilbert, da eToro, disse que margens e fluxo de caixa devem pesar mais para o investidor. A própria Reuters observa que os resultados do terceiro trimestre da Tesla, em 21 de outubro, pesam mais para quem investe do que a apresentação.

Nos comentários de um vídeo sobre o assunto, o tom foi de humor e de ceticismo. Alguém lembrou a fala de Woody, em Toy Story, sobre cair com estilo, e houve quem perguntasse para que serve a função e desconfiasse de que o giro no ar existiu mais para o espetáculo do que para o carro.

Para qualquer empresa, a lição é que um prazo prometido em público vira dívida de reputação, e quem não paga em entrega acaba pagando em atenção, o que funciona enquanto a plateia ainda quer assistir.

O limite do argumento é que os números de desempenho e de reserva são da própria Tesla, que as matérias que li não dizem se havia alguém a bordo na demonstração e que nenhuma fonte conta como o evento é recebido por quem reservou um Roadster desde 2017.

Quem promete data deve a data.

Fontes

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